Leitores do Mundo ao Meu Redor

domingo, 28 de setembro de 2008

Vinicius de Moraes

Como se comportar no cinema (A arte de namorar)

Poucas atividades humanas são mais
agradáveis que o ato de namorar, e é sobre a arte
de praticá-lo dentro dos cinemas que queremos fazer
esta crônica. Porque constitui uma arte fazê-lo bem
no interior de recintos cobertos, mormente quando
se dispõe da vantagem de ambiente escuro propício.
A tendência geral do homem é abusar das facilidades
que lhe são dadas, e nada mais errado; pois a verdade
é que namorando em público, além dos limites,
perturba ele aos seus circunstantes, podendo atrair
sobre si a curiosidade, a inveja e mesmo a ira
daqueles que vão ao cinema sozinhos e pagam pelo
direito de assistir ao filme em paz de espírito.

Ora, o namoro é sabidamente uma atividade
que se executa melhor a coberto da curiosidade
alheia. Se todos os freqüentadores dos cinemas
fossem casais de namorados, o problema não
existiria, nem esta crônica, pois a discrição de todos
com relação a todos estaria na proporção direta da
entrega de cada um ao seu namoro específico. [...]
De modo que, uma das coisas que os namorados
não deveriam fazer é se enlaçar por sobre o ombro e
juntar as cabeças. Isso atrapalha demais o campo
visual dos que estão à retaguarda. [...]

Cochichar, então, é uma grande falta de
educação entre namorados no cinema. Nada perturba
mais que o cochicho constante e, embora eu saiba
que isso é pedir muito dos namorados, é necessário
que se contenham nesse ponto, porque afinal de
contas aquilo não é casa deles. Um homem pode fazer
milhões de coisas – massagem no braço da
namorada, cosquinha no seu joelho, festinha no
rostinho delazinha; enfim, a grande maioria do trabalho
de “mudanças” em automóveis não hidramáticos –
sem se fazer notar e, conseqüentemente, perturbar
aos outros a fruição do filme na tela. Porque uma
coisa é certa: entre o namoro na tela – e pode ser até
Clark Gable versus Ava Gardner – e o namoro no
cinema, este é que é o real e positivo, o perturbador,
o autêntico.

sábado, 27 de setembro de 2008

Recomendo: V for Vendetta

Com direito a "1812 Overture" de Tchaikovsky.

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(V de Vingança)

"I'm still alive..." (Pearl Jam)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Seven Years in Tibet


"Dear Rolf Harrer, I am a person you don't know. A man you've never met...But you are someone who occupies my mind... and my heart... in this distant land where I've gone. If you can imagine a hidden place, tucked safely away from the world... concealed by walls of high, snow-capped mountains... A place rich with all the strange beauty of your nighttime dreams...Then you know where I am. In the country where I'm traveling - Tibet - people believe if they walk long distances to holy places it purifies the bad deeds they've committed...They believe the more difficult the journey, the greater the depth of purification. In this place where time stands still, it seems that everything is moving. Including me. I can't say I know where I'm going. Nor whether my bad deeds can be purified... there are so may things I've done which I regret. But when I come to a full stop, I hope you will understand that the distance between us is not as great as it seems... With deep affection, your father, Heinrich Harrer."
"A fresh cup of tea is poured for the loved one departing. It sits untouched, waiting for his return."
"The absolute simplicity. That's what I love. When you're climbing your mind is clear and free from all confusions. You have focus. And suddenly the light becomes sharper, the sounds are richer and you're filled with the deep, powerful presence of life."

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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Não quero ser mais um na multidão.


Passar por esta existência sem deixar marcas não faz sentido. Concordo com os que dizem que uns aqui parecem para isso mesmo, mas nem todos. Recuso-me a ser mais um.

Finalmente despi-me de uma capa protetora que nos isola da opinião alheia. Trocar idéias é fantástico. Impô-las e julgar por julgar não fazem meu gênero. Não combinam comigo. E o que combina? Bem, tô nessa pra descobrir. Se não fosse assim, já teria partido.

Não me canso de discutir, mesmo que seja comigo mesma, o significado da existência. O que nos faz sentir que estamos aqui. Será que outros animais sentem também? E as plantas? E as bactérias? Será que existe algum conceito de vida num organismo desse? Pode chamar de piração o que eu chamo de questionamento. Se não fosse o ato de questionar, não teríamos evoluído até onde nos encontramos agora. São diversos os exemplos. Se não fosse pelo teólogo polonês Nicolau Copérnico (1473 - 1543) não se descobriria naquela época a revolução da Terra em torno do Sol. Há tantos exemplos! O físico inglês Robert Hooke (1635 - 1702) descobriu a unidade básica de organismos vivos. O início do entendimento de que somos realmente feitos. O filósofo alemão Immanuel Kant (1724 - 1804) que ao publicar seu livro "Crítica da Razão Pura", propôs que existe uma classe de conhecimentos que constituem verdades que não dependem de comprovação e que são necessárias para a compreensão do mundo. Pano pra manga na filosofia. O lingüista suíço Ferdinand de Saussure (1857 - 1913) que definiu a linguagem como um fenômeno social e, portanto, mutante. A gramática (sinto muito, Bechara) não é o pai das regras. Posso passar um bom tempo enumerando pessoas que tornaram nosso entendimento mais detalhado. E que simplificaram, quero dizer, mostraram que o mundo é muito mais complexo que imaginamos. E que o melhor é que isso parece não ter fim. Há sempre o novo. E por isso devemos continuar a busca.

A busca está diretamente ligada ao conhecer. Sim, é isso mesmo que quero dizer. Estude, leia... Nunca é demais. Não adianta pensar que outros vão fazer por você. A não ser que você concorde com o discurso "sou mais um na multidão". Não sei se um dia vou chegar a marcar meu nome na História. Muita prepotência de minha parte achar isso, mas sei que ao meu redor posso adicionar. Minha mensagem por essa é: transforme positivamente o mundo ao seu redor. Procure SOMAR. Procure se descobrir... Procure descobrir de que é feito esse mundo ao seu redor. E pra que que você foi colocado nele.

Acho que é assim que começamos a sacudir as palavras. *Risos*

The Ultimate Gift

Not the best movie I've ever watched, nevertheless it is worthwhile.


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domingo, 21 de setembro de 2008

Pensamentos aparentemente soltos.

Ouço tudo. Analiso internamente. Aplico aos poucos o que ainda não sabia e que parece ser coerente nas situações que me trazem dúvida, situações que ainda estou vivendo.
Já vivi muitos sofrimentos cruéis que não achava que alguém da minha pouca idade poderia passar. Tinha menos que dez anos de idade. Não entendia. Questionava-me. Chegava a me culpar por uma união que passou a existir oficialmente devido a minha existência. Só que é aí que nos enganamos. Recebemos o que merecemos sim. Estamos aqui para aprender.
Dei a volta por cima. Ainda não sei como o fiz. Tenho ainda muito aprender como você. O passo inicial é o questionamento. Duvide, questione, analise, tire conclusões. Este não é um processo em equilíbrio, pelo contrário. Sofre ação de outras forças constantemente. Bote sua caixola pra funcionar. Não é à toa que você carrega esse peso aí.
O que te traz aqui até a esse texto? O que nos une neste exato momento? Gostaria de saber o seu motivo, mas sei é também o fato que estamos na mesma faixa vibratória. Não sei se temos que aprender a mesma coisa, mas algo temos em comum agora. Você possa talvez me dizer que só está aqui pra saber o que eu ando aprontando. O que eu ando pensando. Mas eu digo que você se enganou. Algo poderia ter acontecido para você não chegar até aqui agora. E você chegou.

sábado, 20 de setembro de 2008

Hoje fez um SOL daqueles!

Hoje é dia 20...
Nossa história começou assim....


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quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Dores de Amores

Eu fico com essa dor
Ou essa dor tem que morrer
A dor que nos ensina
E a vontade de não ter
Sofrer de mais que tudo
Nós precisamos aprender
Eu grito, me solto
Eu preciso aprender
Curo esse rasgo ou ignoro qualquer ser
Sigo enganado ou enganando meu viver
Pois quando estou amando é parecido com sofrer
Eu morro de amores
Eu preciso aprender

(cantada por Luiz Melodia)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Pursuit of HappYness

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The meaning of Persistence and Hope

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Aprendendo a viver com Chico Xavier...

O importante nesta vida é aprender e aplicar conhecimento. Cada dia é sim uma nova chance de mudança. Viemos cheios de "defeitinhos" que são revelados através de experiências que vivemos. É preciso estar atento às mensagens que nos são enviadas constantemente. Acredito que viemos ao mundo para nos modificar e evoluir.
Dedico este texto a todos: os que procuram melhorar e os que ainda não enxergaram a obrigação de reavaliar os valores e modificar atitudes.
"Nasceste no lar que precisavas,
vestiste o corpo físico que merecias,
moras onde melhor Deus te proporcionou,
de acordo com teu adiantamento.
Possuis os recursos financeiros coerentes
com as tuas necessidades, nem mais,
nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.
Teu ambiente de trabalho é o que elegeste
espontaneamente para a tua realização.
Teus parentes, amigos são as almas que atraíste, com tua própria afinidade.
Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle.
Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais,
buscas, expulsas, modificas tudo aquilo
que te rodeia a existência.
Teus pensamentos e vontade são a chave de teus atos e atitudes...
São as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivência
Não reclames nem te faças de vítima.
Antes de tudo, analisa e observa.
A mudança está em tuas mãos.
Reprograme tua meta,
busca o bem e viverás melhor.
Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,
qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.
Paz e Luz."
Chico Xavier

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Um ar de tristeza inevitável...

Acho que devemos segurar a peteca, mas ainda não aprendi a esconder verdade alguma. Mesmo que não a explique ou revele. Escondê-la? Nunca.

"Minha casa não é minha, e nem é meu este lugar
Estou só e não resisto, muito tenho prá falar
Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar..."

(Travessia - Milton Nascimento)

Flashback...

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Read it.

sábado, 13 de setembro de 2008

THEME FOR ENGLISH B

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The instructor said,

Go home and write

a page tonight.

And let that page come out of you---

Then, it will be true.

I wonder if it's that simple?

I am twenty-two, colored, born in Winston-Salem.

I went to school there, then Durham, then here

to this college on the hill above Harlem.

I am the only colored student in my class.

The steps from the hill lead down into Harlem

through a park, then I cross St. Nicholas,

Eighth Avenue, Seventh, and I come to the Y,

the Harlem Branch Y, where I take the elevator

up to my room, sit down, and write this page:

It's not easy to know what is true for you or me

at twenty-two, my age. But I guess I'm what

I feel and see and hear, Harlem, I hear you:

hear you, hear me---we two---you, me, talk on this page.

(I hear New York too.) Me---who?

Well, I like to eat, sleep, drink, and be in love.

I like to work, read, learn, and understand life.

I like a pipe for a Christmas present,

or records---Bessie, bop, or Bach.

I guess being colored doesn't make me NOT like

the same things other folks like who are other races.

So will my page be colored that I write?

Being me, it will not be white.

But it will be

a part of you, instructor.

You are white---

yet a part of me, as I am a part of you.

That's American.

Sometimes perhaps you don't want to be a part of me.

Nor do I often want to be a part of you.

But we are, that's true!

As I learn from you,

I guess you learn from me---

although you're older---and white---

and somewhat more free.

This is my page for English B.

Langston Hughes, 1951.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Que tudo passe...

Que tudo passe
passe a noite
passe a peste
passe o verão
passe o inverno
passe a guerra
passe a paz

passe o que nasce
passe o que vem
passe o que faz
passe o que faz-se
que tudo passe
e passe muito bem.

Paulo Leminski

LEMINSKI, Paulo. Caprichos e relaxos. São Paulo: Brasiliense, 1985. p. 15

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

:)



Happy Bithday pra mim e pra todos q nasceram nesta dia!
Com muita alegria e muita música sempre!!!

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http://www.youtube.com/watch?v=m_Nz9B1XFio

THE BEATLES ROCK!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Teoria do conhecimento...

A dúvida e a busca da verdade...

Para Kant, o cético nos lembra de que pensar não é um fim, mas uma atividade.

"(...) E se reparar direito, tudo o que eu tenho são crenças, algumas até muito razoáveis, mas nada de que eu possa dizer que é uma verdade irrefutável. Percebo, então, que me falta um parâmetro para examinar as minhas crenças e verificar quais são realmente certas e quais são falsas. (...)"
Josué Cândido da Silva
professor de filosofia da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus (BA)

Versão do álbum: Ao Vivo - Luiz Melodia Acústico (1999)

Tente passar pelo que estou passando
Tente apagar este teu novo engano
Tente me amar, pois estou de amando
Baby, te amo, nem sei que te amo

Tente usar a roupa que eu estou usando
Tente esquecer em que ano estamos
Arranje algum sangue, escreva num pano
Pérola Negra, te amo, te amo

Rasgue a camisa, enxugue meu pranto
Como prova de amor mostre teu novo canto
Escreva num quadro em palavras gigantes
Pérola Negra, te amo, te amo

Tente entender tudo mais sobre o sexo
Peça meu livro querendo eu te empresto
Se intere da coisa sem haver engano.

Baby, te amo nem sei se te amo..
Tente passar pelo que estou passando
Tente apagar este teu novo engano
Tente me amar, pois estou de amando
Baby, te amo, nem sei se te amo...

Tente usar a roupa que eu estou usando
Tente esquecer em que ano estamos
Arranje algum sangue, escreva num pano
Pérola Negra, te amo, te amo!!!

Raaaaaaaasgue a camisa e enxugue meu pranto!!!
Como prova de amor mostre teu novo canto.
Escreva no quadro em palavras gigantes:
Pérola Negra, te amo, te amo!!!

(...)

Todo mundo sabe
que esta bela criatura
teve o lar tão lindo
e o meu sincero amor
mas a boemia dela se apoderou
e a coitadinha fracassou
Tinha tudo quanto de mim precisava
carinho que é bom não faltava
nunca houve uma zanga sequer
um dia deu adeus e deixou nosso ninho
indo em busca de novos carinhos
que pena, uma linda mulher*

Baby te amo, nem sei se te amo
Baby te amo, nem sei se te amo
Baby te amo, nem sei se te amo...

*incidência de: A COITADINHA FRACASSOU (Hélio Nascimento/Arnaldo Passos)

http://b.radio.musica.uol.com.br/radio/index.php?ad=on&ref=Musica&busca=perola+negra&param1=homebusca&q=perola+negra&check=musica&x=56&y=4

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Mensagem para Todos

Que Deus não permita que eu perca o ROMANTISMO, mesmo sabendo que as rosas não falam...

Que eu não perca o OTIMISMO, mesmo sabendo que o futuro que nos espera pode não ser tão alegre...

Que eu não perca a VONTADE DE VIVER, mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, dolorosa...

Que eu não perca a vontade de TER GRANDES AMIGOS, mesmo sabendo que, com as voltas do mundo, eles acabam indo embora de nossas vidas...

Que eu não perca a vontade de AJUDAR AS PESSOAS, mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver, reconhecer e retribuir esta ajuda...

Que eu não perca o EQUILÍBRIO, mesmo sabendo que inúmeras forças querem que eu caia...

Que eu não perca a VONTADE DE AMAR, mesmo sabendo que a pessoa que eu mais amo pode não sentir o mesmo sentimento por mim...

Que eu não perca a LUZ E O BRILHO NO OLHAR, mesmo sabendo que muitas coisas que verei no mundo escurecerão meus olhos...

Que eu não perca a GARRA, mesmo sabendo que a derrota e a perda são dois adversários extremamente perigosos...

Que eu não perca a RAZÃO, mesmo sabendo que as tentações da vida são inúmeras e deliciosas...

Que eu não perca o SENTIMENTO DE JUSTIÇA, mesmo sabendo queo prejudicado possa ser eu...

Que eu não perca o meu FORTE ABRAÇO, mesmo sabendo que umdia meus braços estarão fracos...

Que eu não perca a BELEZA E A ALEGRIA DE VER, mesmo sabendo que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos e escorrerão por minha alma...

Que eu não perca o AMOR POR MINHA FAMÍLIA, mesmo sabendo que ela muitas vezes me exigiria esforços incríveis para manter a sua harmonia...

Que eu não perca a vontade de DOAR ESTE ENORME AMOR que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas vezes ele será submetido e até rejeitado...

Que eu não perca a vontade de SER GRANDE, mesmo sabendo que o mundo é pequeno... E acima de tudo...

Que eu jamais me esqueça que Deus me ama infinitamente!

Que um pequeno grão de alegria eesperança dentro de cada um é capaz de mudar e transformar qualquer coisa, pois...

A VIDA É CONSTRUÍDA NOS SONHOS E CONCRETIZADA NO AMOR!

Francisco Cândido Xavier

Pão e Poesia

Composição: Moares Moreira

Felicidade é uma cidade pequenina
é uma casinha é uma colina
qualquer lugar que se ilumina
quando a gente quer amar

Se a vida fosse trabalhar nessa oficina
fazer menino ou menina, edifício e maracá
virtude e vício, liberdade e precipício
fazer pão, fazer comício, fazer gol e namorar

Se a vida fosse o meu desejo
dar um beijo em teu sorriso, sem cansaço
e o portão do paraíso é teu abraço
quando a fábrica apitar

Felicidade é uma cidade pequenina
é uma casinha é uma colina
qualquer lugar que se ilumina
quando a gente quer amar

Numa paisagem entre o pão e a poesia
entre o quero e o não queria
entre a terra e o luar
não é na guerra, nem saudade nem futuro
é o amor no pé do muro sem ninguém policiar

É a faculdade de sonhar é uma poesia
que principia quando eu paro de pensar
pensar na luta desigual, na força bruta, meu amor
que te maltrata entre o almoço e o jantar

Felicidade é uma cidade pequenina
é uma casinha é uma colina
qualquer lugar que se ilumina
quando a gente quer amar

O lindo espaço entre a fruta e o caroço
quando explode é um alvoroço
que distrai o teu olhar
é a natureza onde eu pareço metade da tua mesma vontade
escondida em outro olhar

E como o doce não esconde a tamarinda
essa beleza só finda
quando a outra começar
vai ser bem feito nosso amor daquele jeito
nesse dia é feriado não precisa trabalhar

Pra não dizer que eu não falei da fantasia
que acaricia o pensamento popular
o amor que fica entre a fala e a tua boca
nem a palavra mais louca, consegue significar: felicidade

Felicidade é uma cidade pequenina
é uma casinha é uma colina
qualquer lugar que se ilumina
quando a gente quer amar

Saudade...

"How I wish...
How I wish you were here.
We're just two lost souls swimming
in a fish boat, year after year."
Pink Floyd


Não importa de quem, nem quando. Saudade quando chega não bate na porta, nem pede licença para passar: entra. Ou melhor, invade.

Meu coração fica pequenino. Ele se encolhe devido à imensidão da falta. Só sei descrever a dor pontiaguda, no meio do peito, feito uma faca penetrando cada vez mais fundo. Nem me parte ao meio, nem arranca o pequeno coração que me resta. Afunda, afunda... Não chega a ultrapassar a carne, mas é suficiente para tirar meu ar. Quase me tira a vida.

No entanto, eu deixo o tempo passar. Suavemente ou desesperadamente me agarro às orações. Esta noite tenho o som da chuva ao meu favor. Lava minha alma, renova minhas energias... Por favor, reacenda minhas esperanças! Não sei mais quanto posso suportar.

Neste momento nem consolo adianta
Nem canto, nem grito, nem som minha garganta
Pode mais pronunciar.

Não gosto desta dor. Repugnante e doentio o romântico do século XVIII. Só não nego algo que sinto. Tão pouco ignoro. Espero que ao externalizar, eu possa então relaxar e dormir em paz esta noite.

"Bô seiva invadi nha coraçon sem limite..."
(Regaco - Mayra Andrade)

Li

sábado, 6 de setembro de 2008

Deus quer otimismo

Procópio acordava cedinho, abria a janela, exclamava:
– Que dia maravilhoso! O dia mais belo da minha vida!
Às vezes, realmente, a manhã estava lindíssima, porém outras vezes a natureza mostrava-se carrancuda. Procópio nem reparava. Sua exclamação podia variar de forma, conservando a essência:
– Estupendo! Sol glorioso! Delícia de vida!
Choveu o mês inteiro e Procópio saudou as trinta e uma cordas-d’água com a jovialidade de sempre. Para ele não havia mau tempo.
A família protestava contra a sua disposição fagueira e inalterável. A população erguia preces ao Senhor, rogando que parasse com o dilúvio. Um dia Procópio abriu a janela e foi levado pelas águas. Ia exclamando:
– Sublime! Agora é que sinto realmente a beleza do bom tempo integral! O azul é de Sèvres! Chove ouro líquido! Sou feliz!
Os outros, que não acreditavam nisto, submergiram, mas Procópio foi depositado na crista de um pico mais alto que o da Neblina, onde faz sol para sempre. Merecia.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.)

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Cantiga

Nas ondas da praia
Nas ondas do mar
Quero ser feliz
Quero me afogar.

Nas ondas da praia
Quem vem me beijar?
Quero a estrela-d'alva
Rainha do mar.

Quero ser feliz
Nas ondas do mar
Quero esquecer tudo
Quero descansar.

Manuel Bandeira

Conto Erótico nº1

- Assim?
- É. Assim.
- Mais depressa?
- Não. Assim está bem. Um pouco mais para...
- Assim?
- Não, espere.
- Você disse que...
- Para o lado. Para o lado!
- Querido...
- Estava bem mas você...
- Eu sei. Vamos recomeçar. Diga quando estiver bem.
- Estava perfeito e você...
- Desculpe.
- Você se descontrolou e perdeu o...
- Eu já pedi desculpa!
- Está bem. Vamos tentar outra vez. Agora.
- Assim?
- Quase. Está quase!
- Me diga como você quer. Oh, querido...
- Um pouco mais para baixo.
- Sim.
- Agora para o lado. Rápido!
- Amor, eu...
- Para cima! Um pouquinho...
- Assim?
- Aí! Aí!
- Está bom?
- Sim. Oh, sim. Oh yes, sim.
- Pronto.
- Não. Continue.
- Puxa, mas você...
- Olhaí. Agora você...
- Deixa ver...
- Não, não. Mais para cima.
- Aqui?
- Mais. Agora para o lado.
- Assim?
- Para a esquerda. O lado esquerdo!
- Aqui?
- Isso! Agora coça.

Luís Fernando Veríssimo

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Sem Aviso

Anda...
Tira essa dor do peito, anda...
Despe essa roupa preta e manda
seu corpo deslembrar.

Canta...
Vira dor pelo avesso.
Canta...
Larga essa vida assim às tontas
Deixa esse desenganar.

Calma...
Dê o tempo ao tempo, calma...
Alma...
Põe cada coisa em seu lugar.
E o dia virá, algum dia virá
Sem aviso então...

Composição de Francisco Bosco e Fred Martins
Na voz de Maria Rita